Livros de Areia

quarta-feira, 11 de junho de 2008

"Ao longo dos últimos dias..."

Este nosso post teve um desenvolvimento curioso (no inevitável e já imprescindível Blogtailors): ao que parece – e a informação é sólida, pois veio de Pedro Sobral da Dom Quixote-Leya – têm sido instalados "ao longo dos últimos dias" displays (vulgo, monitores) em "diversas livrarias" que servirão de veículo à exibição de "booktrailers". No momento em que se escrevem estas linhas, não vi ainda nenhum (fui à FNAC do Chiado há uma semana e nada vi na altura, e uns dias em Viana do Castelo não são propícios a novidades tecnológicas), e ainda não dissipei uma dúvida: estes displays são propriedade da Leya e apenas para uso exclusivo da(s) sua(s) chancela(s) ou propriedade das livrarias para uso generalizado e sob condições? (Seguir a discussão aqui).
(PM)

PS: Ainda sem resposta das livrarias a um email que enviei hoje de manhã, inquirindo sobre esta milagrosa erupção de displays em tão poucos dias, permito-me transcrever aqui o último comentário que deixei ao supra referido post do Blogtailors:

"Apenas um aclaro sobre esta discussão: o meu post no nosso blogue referia-se (como bem o entenderam os Blogtailors e José Mário Silva no seu Bibliotecário de Babel) à inexistência de um serviço por parte das livrarias, no caso o de disponibilizar monitores/displays para a exibição de trailers, exibição essa, obviamente, sob condições e contrapartidas. Considero absurdo que, além dos livros, os editores tenham de carregar para as livrarias monitores onde os trailers desses livros sejam exibidos. Se isto pega, as livrarias deixam de ter viabilidade física dado o entupimento de espaço.

Não nego o poder e o império do mercado, que faz com que a maior facilidade de compra e deslocação de tecnologia esteja ao dispor de uns em detrimento de outros, mas aqui, de novo, cabe às livrarias decidirem se querem ainda ser agentes de cultura (e promover esse "gosto pelos livros" de que o Pedro Sobral da Dom Quixote-Leya fala) ou apenas agentes da lei do mais forte.
Pedro Marques
Livros de Areia Editores Lda.
www.livrosdeareia.com"

5 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Estimado Pedro:

Concordo com o desenvolvimento curioso deste seu comentário. Assim sendo e perante o seu cepticismo a estes tão polémicos displays refiro novamente que estão neste momento em fase de implementação o que leva a que a sua visibilidade não seja imediata.Neste exacto momento, encontrará estes displays ao vivo e a cores nos pavilhões da D.Quixote na Feira do Livro de Lisboa, na Pó dos Livros, na Almedina do Saldanha, na Book House e na Galileu. Nos restantes locais que mencionei estão ainda em fase de implementação. Alguma paciência e verá mais alguns destes displays noutros locais.
Estes displays são propriedade da D.Quixote e terão conteúdos D.Quixote actualizados de acordo com a estratégia de comunicação da D.Quixote e da livraria em questão.
Gostaria de deixar claro uma coisa. Não estamos perante algo que apenas é possível com um grande investimento. Estamos perante algo que apenas foi produto da imaginação e capacidade de adaptação. Consideramos que a promoção dos nossos livros e dos nossos autores é nossa responsabilidade e para isso tentamos ultrapassar as barreiras que por vezes se colocam à inovação.Sem grandes investimentos e sem gigantescas movimentações de capital. Este é apenas um meio pensado para complementar o espaço virtual onde temos colocado os nossos booktrailers e que permitem aos nossos autores e aos livreiros que trabalham connosco um meio diferente de comunicar.
Além disso Pedro, se hoje os editores já transportam para as livrarias expositores, cartazes e stand ups que duram uns meros 15 dias e que são rápidamente descartados, não será mais fácil e cómodo colocar estes displays? Mais amigo do ambiente até?.
E serão estes objectos tão caros assim só disponíveis aos agentes da lei do mais forte?
Não serem estes meios que permitem aos nossos parceiros livreiros outra forma de comunicar os livros?
Não serão estas formas positivas de promover o livro? E serão que não o são apenas porque vêm da mão da D.Quixote?

Pedro Sobral

12:45 da tarde  
Blogger LA said...

Caro Pedro Sobral

o que está em causa, como eu afirmei desde o início, é a independência das livrarias como fornecedores de serviços a que todos possam, mediante os seus meios, chegar. Peço-lhe que me deixe considerar que não estamos apenas a falar aqui da compra por atacado de uns tantos monitores "pequeninos e honrados" e da sua simples entrega em livrarias: há uma negociação por trás para a ocupação do espaço, estou certo, tal como o há para a ocupação das montras. E a exclusividade do seu conteúdo deverá pagar-se, estou certo também.
O que este precedente abre é a necessidade de cada editora ou grupo ter os seus próprios displays e fazer com que as livrarias os coloquem de forma visível, o que não augura boas coisas (voltamos ao assunto das montras) quanto à gestão do espaço das livrarias.
Não me lembro de, em 2006, ver nenhuma das editoras grandes (Dom Quixote incluida) a avançar com isto, o que me leva a reforçar a ideia de que a salvífica injecção de capital de 2007 pode ter contribuído para o investimento a que se refere, e que continua a indicar como de pouca monta. E, se de facto é de tão pouca monta, deixe-me fazer esta pergunta: porque não investiram até agora as livrarias nisto, como sempre achei que fosse possível, amortizando o investimento em 2 ou 3 monitores através do aluguer ao minuto pela exibição de trailers?

Produzimos livros com bastante esforço (das nossas mãos saem os contactos com os agentes, com os autores, as traduções, a revisão, o site, o blogue, a facturação, o design, a paginação, o acompanhamento pessoal dos autores, e, até 2007, a distribuição), que pagamos do nosso bolso e que entregamos, mediante a cedência de 40% do seu valor, nas livrarias, mas sabemos que não podemos esperar tê-los lá o tempo suficiente de as pessoas decorarem as capas (exceptuando a FNAC, até agora) porque competidores mais fortes pagam espaço vital de exposição a peso de ouro. Desde 2005 que produzo pequenos filmes em Flash para promover alguns dos nossos títulos, que estão no Youtube desde 2006, e agora sei que não posso propô-los a uma livraria porque o que ela está à espera é que eu leve o(s) monitor(es) e dispute (pagando) o espaço de colocação do(s) mesmo(s). Pois bem: isto pode até ser uma oportunidade de voltar a fazer muito com pouco, no que à promoção diz respeito, e por aí, é algo positivo.

Nada me move contra a Dom Quixote-Leya (como deixei bem claro, a discussão começou e acaba nas LIVRARIAS e no seu papel nisto tudo), nem contra o seu conceito de "gosto pelos livros": nada disso está em causa aqui. Trata-se de MERCADO e de como quem tem menos pode aceder a ele, e se o poderá, de facto, fazer nos tempos futuros.

Atenciosamente,

Pedro Marques
Livros de Areia Editores
www.livrosdeareia.com

1:28 da tarde  
Anonymous Maria João Costa said...

Caro Pedro Marques,

é preciso ver que antes de estar integrada no Grupo Leya, a Dom Quixote já pertencia à Planeta. Recursos financeiros, de facto, não eram um problema para esta editora. A injecção financeira de que fala, associada à aquisição por parte da Leya, não faz sentido neste caso, nem está relacionada com o tipo de campanhas que a Dom Quixote tem planeado.
O facto do Pedro Sobral se ter lembrado do uso de pequenos monitores para promover os nossos booktrailers tem unicamente a ver com a sua capacidade de inovar num mercado tão tradicional como é o dos livros. Em termos de lojas, no que se refere ao espaço ocupado, o impacto destes monitores é idêntico ao dos convencionais expositores e afins, também eles pagos por cada uma das editoras.
A sua ideia das livrarias terem monitores próprios que possam ser utilizados por várias marcas, é absolutamente válida, e parece-me até que acabará por ser esse o caminho a seguir por aquelas. Mas quando fala da possibilidade dos monitores serem alugados ao minuto, já lhe ocorreu que as livrarias podem vir a dar preferência a quem lhes puder comprar mais tempo de emissão? Voltamos à questão inicial. Esta parece-me uma discussão sem saída, ainda que importante.

2:49 da tarde  
Blogger LA said...

Cara Maria João,

o seu uso do pronome possessivo leva-me a concluir que será colega do Pedro Sobral na chancela Dom Quixote-Leya, o que por sua vez me obriga a, mais uma vez, agradecer o tempo que tão ilustres profissionais decidem investir numa modesta discussão iniciada aqui, nesta nossa ainda mais modesta casa. Dizer que é uma honra é pouco, acredite.

"Recursos financeiros, de facto, não eram um problema para esta editora."
Também nos pareceu, curiosamente, mas ainda bem que o diz a Maria João...

"...tem unicamente a ver com a sua capacidade de inovar..."
É já sobejamente conhecido o argumento da "inovação", que a vossa casa mãe avançou por altura das discussões musculadas da Feira do Livro de Lisboa. Não há aqui, permita-me que repita, qualquer inovação da vossa parte, apenas aproveitamento de um sector de mercado que está mais reactivo do que proactivo: as livrarias.

"quando fala da possibilidade dos monitores serem alugados ao minuto, já lhe ocorreu que as livrarias podem vir a dar preferência a quem lhes puder comprar mais tempo de emissão?"
Já, e essa decisão caberia às livrarias, caso a caso, desde que as condições fossem comunicadas de forma clara a quem as procurasse. Quem tem mais e quer pagar mais, está no seu direito. Mas isso será quando as livrarias decidirem prestar esse serviço, comprando esses tão baratos displays (que o seu coloega Pedro Sobral tanto louva) e disponibilizando-os aos editores mediante condições.
Mas, permita-me ser pessimista, este precedente pode fazer concluir os gestores das livrarias que não vale a pena o esforço, pois os grandes grupos já levam os monitores para dentro das lojas, e até devem fornecer 'staff' para a sua manutenção.

Enfim, desconte esta nota de pessimisto à conta do calor de Junho, e aceite que me subscreva

Atenciosamente.

Pedro Marques
Livros de Areia Editores Lda.
www.livrosdeareia.com

3:16 da tarde  
Anonymous Maria João Costa said...

Caro Pedro Marques,

desconto com certeza a sua nota de pessimismo, precisamente porque com ela chegou onde eu tinha tentado: independentemente de pertencermos a uma empresa grande ou pequena, sabemos o mercado tem as suas próprias regras que nem sempre são as mais adequadas ao que se tenta vender, neste caso livros que são, para mim, mais do que simples produtos, mas antes bens culturais. Gostava eu que a promoção dos mesmos conseguisse ser feita à margem deste sistema, mas hoje tal já não parece possível. De facto, e para prejuízo dos leitores, parece que sem divulgação os livros raramente vingam, mesmo quando são excepcionais, o que muito lamento. Aí estou consigo, apesar de estar integrada numa empresa com a dimensão da Dom Quixote.

4:08 da tarde  

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