Livros de Areia

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Notas de um congresso

A ler com atenção, as notas de Nuno Seabra Lopes sobre o congresso de editores da UEP, que se realizou na Gulbenkian no mês passado. De todo o conteúdo, alguns pormenores que retivemos, de forma não totalmente aleatória (sublinhados nossos):

"Se é verdade que por Internet nós não conseguimos atingir 2% das nossas vendas globais, também é verdade que o nosso site, que nos custa 200 Euros mensais, promove mais o nosso catálogo do que 10 000 Euros em anúncios mensais. [...]
Caros colegas, aquela figura do editor próspero e feliz, de suspensórios no seu gabinete bem decorado, com autores fiéis, agentes literários idem, mercado bem comportado, foi vilmente assassinado. Hoje acorda para uma batalha diária em que tudo se transforma. Os autores mudam de editora por uma qualquer ilusória vantagem, os agentes proliferam como cogumelos e, sem a mínima hesitação, fazem leilão como qualquer corretor da bolsa. Por outro lado, as tradicionais livrarias de rua, antes estáveis e emblemáticas, estão agora em crise, compram mal e pagam pior. As grandes cadeias e hipermercados esmagam-nos, a nós editores, porque são campeãs de vendas, e os novos títulos que vendem pouco nas primeiras semanas são implacavelmente devolvidos."
(Mário Moura, editor da Pergaminho)

"É a partir deste momento que CVF exige ao Estado o reconhecimento da necessidade de internacionalização, para que proceda da mesma forma que noutros sectores, apoiando de modo particular a indústria da edição (de passagem, CVF fez referências críticas ao apoio do Estado no campo do Cinema, da Moda e do Futebol). [...] CVF limitou-se (correctamente, no meu entender) a exigir aquilo que, de facto, pode e deve ser exigido, sendo preciso agora que as suas exigências se adaptem às características, políticas e instrumentos actuais do governo. Adaptação essa que deverá partir não só dos editores mas também, e principalmente, de uma real abertura e de um visão despreconceituosa do Estado.
De facto, meus senhores, o ICEP revela preconceitos inaceitáveis em relação a esta indústria, tendo a imagem crítica que, de uma forma geral, os editores encaram o seu negócio somente como arte e cultura (paradigma elitista), pelo que não compete (ou agrada) ao ICEP apoiar a indústria editorial."
(Nuno Seabra Lopes sobre a intervenção de Carlos Veiga Ferreira, editor da Teorema)

1 Comments:

Anonymous Nuno Santos said...

Numa pesquisa que efectuei no site da Apel, relativa a uma análise estatística do nº de títulos anuais de 25 editoras escolhidas de forma aleatória, observo que desde 2004 a 2006 a redução do nº de títulos/anuais editados é substancial e assustadora.
Creio que a crise não explica tudo, o editor do século XXI não poderá pensar da mesma forma que o editor da década de 70/80 ou 90 do séc. XX.
O mercado é dinâmico, a oferta de conteúdos explodiu e vai continuar a explodir, a capacidade de adaptação/ajuste é a única resposta a dar...não há milagres.
As novas tecnologias estão aí alguém tira proveito delas? Resposta: Quase ninguém.
Quantos sites de editoras têm uma plataforma de pagamento on-line? Resposta: ZERO ou quase.
As editoras estão a apostar na Internet (ex: Amazon) e a promover neste canal os seus títulos? Resposta: Muito pouco, algumas nem site têm, os homens do Google nem as conseguem pesquisar.
E e-books alguém ouviu falar? Resposta: Nem as livrarias pensaram nesta alternativa de negócio barata. Será que o papel é mais barato?
As máquinas de vending de livros estão no Metro de Barcelona? Resposta:Sim estão, em Lisboa, Viana ou Beja ZERO.
Já existem audiobooks? Resposta: Alguns mas muito poucos.
Enfim, um eterno problema de gestão e pouca apetência para a inovação, recomendo estágios em editoras na Dinamarca, Finlândia ou Suécia.
Inovar em Portugal é pôr verniz UV nas capas dos livros, vende-se mais por isso? Tenho sérias dúvidas, Saramago não precisa o conteúdo basta.
Relativamente ao Estado penso que está provado que a "ajuda monetária" não é sinónimo de um futuro auspicioso para nenhuma actividade sectorial, apenas prolonga um eterno sono contagioso.

4:53 da tarde  

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